‘Nos Tempos do Imperador’: A novela segundo autores, direção e elenco

Em Nos Tempos do Imperador:
Foto de Selton Mello como Dom Pedro II, em Nos Tempos do Imperador)
A novela ‘Nos Tempos do Imperador’ estreia em 09 de agosto e a novela – a primeira totalmente inédita da Globo desde o início da pandemia -, vai mostrar que existem ideais que atravessam o tempo. A trama, escrita e criada por Alessandro Marson e Thereza Falcão, e com direção artística de Vinícius Coimbra, é uma obra de época, ambientada no Rio de Janeiro, e se desenvolve em um Brasil que ainda busca sua identidade e acompanha momentos importantes da vida do Imperador Dom Pedro II (Selton Melo), da Imperatriz Teresa Cristina (Leticia Sabatella), de Luísa, a Condessa de Barral (Mariana Ximenes), além de Pilar (Gabriela Medvedovski) e Jorge/Samuel (Michel Gomes), ao longo dos anos. Através de histórias de amor, lutas e esperança, ‘Nos Tempos do Imperador’ traz elementos históricos, mas que remetem aos dias atuais.

“A novela ‘Nos Tempos do Imperador’ é uma sequência da ideia de ‘Novo Mundo’. A diferença entre as duas histórias é que agora já temos um Brasil estabelecido desde a Independência, feita por Dom Pedro I. Agora, temos personagens de fato brasileiros, netos dos portugueses que vieram para cá. Falar de Dom Pedro II já era um desejo meu e do Alessandro. Nós escolhemos destacar na novela as coisas que ele fez, como a relação dele com o ensino, com a cultura, e o patrocínio à ciência. Esse olhar para projetar um novo Brasil. Apesar de ter cometido alguns erros e de não ter conseguido levar à totalidade seu plano de abolição, Dom Pedro II tem coisas importantíssimas. E todos os personagens ficcionais nascem do resultado desse momento, de como estava a economia, das dificuldades desses novos brasileiros…”, comenta a autora Thereza Falcão.

Apesar de a obra ressaltar as qualidade de Dom Pedro II, os autores afirmam que o público também verá um lado mais falho do Imperador. “Numa obra longa como uma novela, é muito mais fácil conseguir mostrar várias facetas de um mesmo personagem. Ao longo dos mais de 100 capítulos de ‘Nos Tempos do Imperador’, acho que conseguimos mostrar várias contradições de Dom Pedro II, inclusive optamos por tratar de algo que não é a melhor parte da história dele, a Guerra do Paraguai. Para falarmos dessa guerra, tivemos que expor algumas contradições e algumas coisas não tão heroicas que ele foi obrigado a fazer. Apesar de estarmos fazendo uma ficção histórica, de não ser um documentário, tentamos nos manter fieis ao espírito do Dom Pedro II”, afirma Alessandro Marson.

Dom Pedro II

A responsabilidade de interpretar essa figura tão central da história do nosso país coube a Selton Mello. “Eu não me lembrava, da época da escola, de tantos detalhes da história do Dom Pedro II. Quando li alguns capítulos que o Vinícius (Coimbra, diretor artístico) me mandou, no começo, fiquei muito intrigado. Ele foi um personagem tão importante na história do Brasil e não foi tão retratado quanto Dom Pedro I. É um personagem que eu lia e ficava muito encafifado sobre o que ele estaria pensando ao dizer ou viver certas coisas. Li várias biografias e é muito interessante que essas obras não têm respostas para muitas coisas. A Thereza e o Alessandro seguiram também essa pegada de levantar mais perguntas do que respostas, o que eu acho muito interessante, pois cumpre o papel da arte, que é levar entretenimento e reflexão, favorecendo a imaginação do expectador e a curiosidade histórica.”

Se sobre a trajetória de Dom Pedro II existem lacunas, a situação não é diferente quando se trata de sua esposa, Teresa Cristina. Pouco comentada pela História, a Imperatriz ganha contornos fortes em ‘Nos Tempos do Imperador’ e é interpretada por Letícia Sabatella. “A Teresa Cristina foi a última Imperatriz, ela sofreu com o fim do Império, com esse confisco da imagem do Dom Pedro II e dela. Ela virou uma figura meio apagada, mas, poxa, como assim uma pessoa que estudava Arqueologia, que se responsabilizada pela escavação de sítios arqueológicos importante e tinha uma coleção dentro do museu, lia, tentava se aproximar do povo, gostava de artes… como ela pode ser tratada como alguém ignorante? A Teresa Cristina foi realmente apaixonada pelo Brasil”, analisa a atriz.

Condessa de Barral

Outra mulher importante no período do Segundo Reinado é Luisa, a Condessa de Barral, que teria sido o grande amor de Dom Pedro II. “Eu não conhecia a minha personagem e tive o prazer de conhecê-la através dos olhos de Thereza e Alessandro, e de um livro da Mary Del Priore sobre a Barral. A Condessa é uma mulher muito impressionante, muito forte. Tem traços muito contemporâneos: tem delicadeza, gentileza, mas sobretudo firmeza. Ela é uma abolicionista e tem uma relação linda com os negros. No engenho dela, todos os negros são livres”, conta Mariana Ximenes, intérprete da personagem.

Além da paixão entre Dom Pedro II e a Condessa de Barral, o público vai acompanhar também a história de amor de Pilar, jovem que sonha se tornar a primeira médica do Brasil, e de Jorge/Samuel. “Acho que a trama, no geral, traz os elementos históricos de uma maneira muito inteligente, transformando-os em questionamentos sobre o que vivemos hoje. É inevitável comparar a situação da Pilar, por exemplo, com uma mulher que quer ser dona do próprio destino e que muitas vezes não consegue porque é silenciada, o que acontece até hoje. Nós, mulheres, quando não somos silenciadas, pagamos um preço muito alto para conseguirmos ser ouvidas. Acho que a Pilar, de alguma maneira, simboliza um pouco de cada mulher que lutou para ser escutada e que abriu os caminhos para estarmos aqui hoje”, reflete Gabriela Medvedovski. Já o ator Michel Gomes fala da felicidade com esse trabalho: “Estou realizando um sonho contando a história de um personagem que é brasileiro como eu. Me preparei para esse trabalho entendendo como eu poderia levar para as cenas um sentimento que sempre me acompanhou durante a vida, por eu ser negro. A história do Jorge é a história dos meus ancestrais. Estou contando também a minha história, de alguma forma”, diz.

E como todo bom folhetim tem seu grande vilão, em ‘Nos Tempos do Imperador’ o responsável por agitar a vida dos protagonistas é Tonico, interpretado por Alexandre Nero. “Ele é um personagem ficcional, mas talvez seja o mais real da novela. Esse cara está aí, eventualmente em mim, em nós… Talvez seja o personagem mais sem dualidade que eu já fiz. A gente sempre tenta humanizar os personagens para que as pessoas percebam os dois lados, porque ninguém é só bom ou só malvado. Mas ele é a personificação do mal, o que é bacana para a novela que ele seja. É importante que fiquei claro que ele fala coisas tão absurdas que não tem como defender”, ressalta Nero.

‘Nos Tempos do Imperador’, a próxima novela das seis, é criada e escrita por Alessandro Marson e Thereza Falcão, com Julio Fischer, Duba Elia, Wendell Bendelack e Lalo Homrich e tem direção artística de Vinícius Coimbra, direção geral de João Paulo Jabur e direção de Guto Arruda Botelho, Alexandre Macedo, Pablo Müller, Joana Antonaccio e Caio Campos. A direção de gênero é de José Luiz Villamarim.
A novela ‘Nos Tempos do Imperador’ estreia em 09 de agosto
Confira a sinopse da novela:
‘Nos Tempos do Imperador’: D. Pedro II, a Família Imperial e a Condessa de Barral
Confira os resumos da semana das novelas

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